quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Infância, ingenuidade e sonho


As estrelas também são bonitas, gostava de apanhar umas para por no cabelo. Mas acho que nunca vou poder.Surpreendemo-nos com a distância a que estão quando parecem estar logo ali. Quando apareceram pela primeira vez, a noite passada, tentei deitar algumas abaixo com um pau mas não consegui chegar-lhes, fiquei admirada, depois tentei atirar-lhes pedras e torrões de terra até ficar esgotada mas não atingi uma única. Isto deve-se a eu ser cahota e não ter um bom arremesso. Mesmo quando fiz pontaria a uma que nem sequer queria, não atingi nenhuma delas. Mas estive bem perto algumas vezes porque vi a mancha negra do torrão de terra a passar mesmo no meio daqueles cachos dourados umas quarenta ou cinquenta vezes, falhei-as por uma unha negra. Se eu tivesse continuado mais um bocado podia ser que tivesse apanhado uma.
Por isso chorei um pouco, o que é natural, penso eu, para alguém da minha idade, e depois de ter descansado peguei num cesto e dirigi-me para uma zona mais afastada do vale onde as estrelas estavam mais perto do chão e podia apnhá-las com as mãos, o que até era melhor, aliás. Podia apanhá-las de forma mais suave sem as partir.

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