segunda-feira, 29 de outubro de 2007

É isto aprender ?

" A ironia da realidade escolar é que as instituições dedicadas à aprendizagem não costumam elas próprias aprender" (António Bolívar)

De facto, a abertura às inovações e às aprendizagens nem sempre são o ponto forte das instituições escolares, enquanto aparelho de um grande sistema, nem dos seus profissionais, em particular. Nas escolas existe, frequentemente, uma resistência à mudança que torna penosos os processos que envolvam revisão de conhecimentos ou mesmo aquisição de novos conceitos ou técnicas. Quer seja por excesso de trabalho ou por ausência de condições facilitadoras, quer seja por inércia ou pura e simplesmente por falta de vontade, a realidade é que, na maioria dos casos, os obstáculos não faltam quando se trata de aprender. Embora haja muitas situações que, felizmente, fogem a esta nota dominante, na generalidade este é o espírito que impera.
Claro que sem esta abertura e esta disponibilidade para aprender, as instituições, e os seus profissionais, cristalizam e dificilmente podem acompanhar os jovens na sua atracção natural pelo novo.
Quando se fala em aprender fala-se em tomar conhecimento das realidades sociais actuais para, conhecendo os contextos e as vivências de cada um, puder compreender as personalidades e as atitudes dos alunos e estar mais apto a lidar com elas e a tirar daí o proveito possível para a construção dos saberes; fala-se em dominar, minimamente, as novas tecnologias e estar em condições de as aplicar; fala-se em actualizar os conceitos científicos, didácticos e pedagógicos evitando as práticas obsoletas e a estagnação a nível de desenvolvimento pessoal e profissional; enfim, fala-se de actualização aos mais variados níveis.
Se, por vezes, este trabalho é difícil e encontra muitos obstáculos, em muitas situações poderia ser facilitado se fossem criadas metodologias que implicassem o trabalho de grupo sistemático e a partilha de experiências e de pesquisas. Mas, para que esta prática traga resultados será necessário que as pessoas deixem de ter receio de se expor e de mostrar as suas vulnerabilidades e ganhem capacidade de ouvir e estar aberto a críticas e a opiniões e, sobretudo, à mudança.

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